A BELEZA DO NÃO ÓBVIO

A moda como forma de arte proporcionou e ainda proporciona encantamento, novidade, estranheza e o bizarro, estéticas que desafiam os padrões do momento se tornam banais em seguida.

O objetivo mais sublime da moda é a ruptura de paradigmas; a fuga do lugar comum. Apesar de todo esse contexto libertário que ela carrega em sua criação, por estar obviamente ligada ao mercado consumidor foi, por muito tempo, o reduto da pura “perfeição” nas passarelas, capas de revistas e mídias em geral. Quando digo foi, não é porque deixou de ser. Não, não houve uma completa revolução dos valores, o que vem acontecendo há algum tempo é a incorporação de modelos que fogem em diferentes níveis dessa homogeneidade nesse mercado tão restrito a padrões estéticos.

É o caso da canadense Chantelle Brown Young, ou Winnie Harlow, como também é conhecida, que conviveu com bullying desde os 4 anos de idade, momento em que foi diagnosticada com vitiligo, uma doença que promove a despigmentação da pele, gerando manchas pálidas pelo corpo. Sua caminhada para o sucesso começou em 2014 quando, contrariando as expectativas, participou do America’s Next Top Model e sua carreira deslanchou.

winnie-harlow

O modelo Shaun Ross é o primeiro modelo Albino a desfilar em alto nível. Descoberto no Youtube, tem uma história de discriminação pela sua condição, mas agora alcançou o sucesso nas passarelas.

Shuan-Ross

As modelos com diastema, espaço entre os dentes, são outro exemplo de diversificação nesse seleto mundo. Elas vem sendo referência de beleza e estilo a ponto de levar mulheres a procurar tratamento odontológico para estabelecer a mesma condição em seus dentes. Podemos citar Lindsey Wixson, Ashley Smith, Georgia May Jagger e Lara Stone como exemplos.

Outra a desafiar os mandamentos da Supermodels é a britânica Moffy. Ela é o estereótipo da modelo perfeita, exceto por ser estrábica, fato que não impediu a agência Storm, a mesma que descobriu Kate Moss, de contratá-la.

moffy

Em outro patamar encontra-se Melanie Gaydos, que sofre os efeitos de uma síndrome cromossômica única no mundo que afetou a formação dos tecidos celulares mais externos ainda dentro do útero. Sua pele é extremamente sensível, seus dentes são frágeis e seu cabelo cresce para dentro. Isso naturalmente teve grande impacto em sua vida. Em entrevista à BBC afirmou, em síntese, que nunca pensou com clareza numa forma de suicídio mas, se tivesse, provavelmente teria feito e que foi sua força pessoal que a ajudou a tocar a vida.

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