ALEXANDER MACQUEEN

alexander mcqueen

O chocante e grotesco marcantes da obra de Macqueen partiam verdadeiramente do que havia de mais sombrio em seu subconsciente. Não havia a mercantilização do terror como num triller, era genialidade artística como de Augusto dos Anjos, Goya, Byron, Kurt Koubain ou Sade. Fruto do que se pode chamar, hoje, de doença, sua criatividade, para a arte, é simplesmente genialidade.

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Diz-se que calhou ele trabalhar com roupas (Menkes). Sorte da moda de se juntar ao rol de caminhos da arte que tiveram um prodígio como ele. Aos 16 anos, após infância e adolescência difíceis, foi trabalhar num ateliê de costura tradicional por necessidade, poderia ter sido um restaurante, escritório, repartição pública… chamemos de destino.

 

McQueen Widows bridal dress

Contava que se inspirava, inclusive, em filmes de Kubrick e Hitchcock. Assim como na obra deles, a exposição dramática de Macqueen é sempre um mergulho profundo para corajosos e imaginativos. Preferia causar vômitos a suspiros; e mostrar o lado mais negro de cada ideia que expunha. “Acho o grotesco belo, como a maioria dos artistas”, dizia.

 

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Era nos seus desfiles que a perfeição de seu design se misturava à arte performática para trazer cenas memoráveis e momentos dos mais marcantes e polêmicos da história da moda. Vejam alguns dos mais famosos desfiles de Lee Alexander Macqueen:

 

Highland Rape (outono/inverno, 1995)

O mais polêmico desfile de Macqueen e, talvez, da história da moda. As modelos entraram na passarela como se tivessem sido violentadas, com performances e roupas rasgadas. A inspiração foi no “estupro” da Escócia pela Inglaterra após a mal sucedida revolta Jacobita, em 1745. Na época, os escoceses ficaram proibidos, como retaliação, até de usar seus Kilts e roupas tradicionais.

 

Joan (outono/inverno, 1998)

Inspirado em Joana D’arc e na época da Guerra dos Cem Anos. Traz roupas que lembram até armaduras metálicas. Ao final da performance, uma modelo de vermelho fica envolta num círculo de chamas. Conhecendo a obra de Macqueen, imagino que, se fosse possível, ele colocaria fogo na modelo… hehe.

 

No. 13 (primavera/verão, 1999)

Cena antológica do vestido branco sendo “estampado” ao vivo por dois braços robóticos e jatos de tinta.

 

Voss Asylum (primavera/verão, 2001)

Talvez o mais famosos de seus desfiles, pelo menos o mais icônico. Plateia se olhando por mais de uma hora em um cubo de espelhos (para virar o jogo contra a indústria da moda), um desfile ambientado num manicômio, inspiração em filmes de terror e um Gran Finale dos mais chocantes da história do teatro da moda. (vídeos sem som, mas foi a melhor resolução de imagem que achei para postar)

 

What a Merry-go-round (outono/inverno, 2001)

Desfile sombrio e performático. Músicas de artistas como Alice Cooper e Marilyn Manson embalam a passagem das modelos. Ao final, um clima de circo macabro toma conta e uma modelo arrastando uma caveira dourada acorrentada aos seus pés fecham a obra.

 

It’s Only a Game (primavera/verão, 2005)

Um desfile num fundo todo branco. Conforme as modelos vão parando e se posicionando lado a lado, fica óbvio que vai começar uma simulação de um jogo de xadrez.

 

Windows of Culloden (outono/inverno, 2006)

Lembra da revolta Jacobita? então, Culloden foi a batalha final que culminou na derrota dos escoceses. Macqueen produz mais uma cena antológica, quando um holograma de Kate Moss surge como uma aparição, desfilando um vestido esvoaçante e fantasmagórico. Vale lembrar que Kate, pouco tempo antes, foi pega usando cocaína e sua imagem ficou abalada dentro da indústria da moda. O designer, contrariando o mercado hipócrita e demagogo, colocou-a gigante e terminou o desfile com uma camiseta escrita “we love you Kate”.

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