AS IRMÃS BOLENA

Ana Bolena

O rei Henrique VIII da Inglaterra casou-se, primeiramente, com Catarina de Aragão, mas não tiveram sucesso em gerar um filho homem. Como, na época, a culpa era sempre da mulher, logo o rei sentiria necessidade de procurar uma amante que lhe desse um varão, nem que fosse um filho ilegítimo.

Henrique VIII

Essa época coincidiu com a chegada à corte inglesa de Maria, a filha mais velha dos Bolena, vinda da França, onde fora educada. A fama de Maria, no entanto, não era a melhor, provavelmente voltara à ilha britânica porque era acusada de ser amante do rei Francisco I da França. A má reputação, porém, era exatamente o que atraia a atenção de Henrique VIII. Viu em Maria a amante perfeita. O romance não durou muito e, ao contrário do que se diz, não houve um filho fruto dessa relação.

Maria Bolena

Ana, a irmã mais nova, fez diferente. Ganhou prestígio na França e chegou como uma distinta gaulesa na corte inglesa. Atraia o interesse de muitos homens, inclusive do rei, mas não cedia ao assédio dizendo: só me entregarei ao homem com quem me casar. Convicção religiosa ou manipulação para chegar ao trono a parte, a negativa despertou a paixão mais fervorosa no rei, que tentou até a última instância anular seu casamento com Catarina de Aragão, mas não conseguiu. Decidido a casar com Ana Bolena, ele rompeu com a Igreja Católica e começou a articular o que seria mais tarde a Igreja Anglicana. O impacto disso na sociedade da época foi estrondoso e ainda é. Ana casou-se grávida, no final das contas, e daria à luz uma menina, para contragosto do marido.

Enquanto isso, Maria se casava com um serviçal da família e era isolada no campo, fora da corte, como castigo por não procurar um casamento mais lucrativo. Ela só voltaria a frequentar as cortes quando sua irmã, a rainha Ana, que não conseguia gerar um herdeiro homem para o rei, após dois abortos, chamou-a para se reconciliarem.

Ana tinha especial talento para fazer amigos e inimigos importantes e foi nesse clima que uma rede de intriga foi feita para acabar com seu prestígio e reputação. Ela foi acusada de traição, adultério e até incesto com seu irmão mais novo, Jorge.

Confissões sob tortura foram conseguidas de supostos amantes e ela foi condenada a morte. O último suspiro de seu prestígio foi gasto para que o rei trouxesse um carrasco francês, que a executaria com uma espada, assim ela morreria de joelhos, mas sem se curvar, pois uma rainha nunca deveria fazê-lo. Maria assistiu desesperada à única execução de uma rainha em praça pública na história da Inglaterra e de lambuja, à de seu irmão também.

Henrique VIII se casaria mais quatro vezes; Maria seria ancestral de pessoas importantes como Charles Darwin, Churchill e princesa Daiana e Ana seria mãe de Elisabete I, talvez a mais importante monarca da Inglaterra, que iniciou o apogeu do império ultramarino inglês.

Elisabete (ou Isabel) I

A igreja anglicana, surgida dessa história, foi e é a mais liberal e avançada em termos de aceitação das liberdades individuais. Há sacerdotes mulheres e homossexuais. Hoje, a igreja vive um conflito interno entre conservadores e liberais.

Dezenas ou centenas de obras literárias, teatrais e cinematográficas foram inspiradas por essa história real. A mais conhecida é a adaptação de um livro para o cinema que levou o título “The Other Boleyn Girl”, ou “A Outra” em português. Scarlett Johansson (Maria) e Natalie Portman (Ana) interpretam a história de forma magnífica, fielmente ao livro mas, infelizmente, o livro tem muitas falhas, se for para considerá-lo uma obra biográfica. Mesmo assim, vale a pena assistir!!!

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