DONA ARACY: A LISTA DE SCHINDLER BRASILEIRA

O título da postagem, feito para chamar a atenção, confesso, é uma injustiça. A comparação desmerece a atitude ímpar dessa brasileira.

Não vou entrar no mérito do Holocausto, porque isso é assunto para outro momento, mas fato é que os judeus estavam em situação complicada perante o governo da Alemanha nazista, assumidamente anti-semita. Falarei apenas sobre a atitude da esposa do Cônsul do Brasil em Hamburgo, Guimarães Rosa (exato, o escritor de Sertões: Veredas).

A logística do que lhe consagrou como Anjo de Hamburgo era conceder vistos falsos para judeus que tentavam embarcar para o exterior. Como ainda não era casada com Guimarães Rosa, agiu sozinha no princípio. O processo iniciou quando, em 1938, o governo Vargas passou a negar a entrada de judeus no país. A partir de então, os vistos dos judeus, que tinham uma letra “J” para identificação eram negados. Ela, porém, trazia documentos adulterados para a assinatura do Cônsul Geral. Simplesmente era omitida a parte que dizia que os pedidos eram para judeus. A autoridade ratificava os vistos, então, sem saber. O apoio de Guimarães Rosa, na época Cônsul Adjunto, foi que deu início ao romance que terminaria em matrimônio.

Os perigos da descoberta eram iminentes. Quando o Brasil tomou partido dos Aliados, em 1942, a situação ficou crítica. O casal só regressou ao seu país porque entrou num esquema de troca de diplomatas. Foram se casar no exterior, porque ela era divorciada e ainda não era aceito o segundo casamento por aqui.

Mais tarde, ainda veio a esconder em sua casa contra-partidários do regime militar. Já ouviram falar de Geraldo Vandré? pois é…

Seu espírito era defender quem era perseguido sem motivo justo, por forças que considerava opressoras, ao invés de se acovardar e aceitar o sofrimento de quem ela considerava certo. Seu altruísmo lhe rendeu homenagens, principalmente em Israel, por motivos óbvios.

No Brasil, a presidente Dilma Russef participou, em 2013, da primeira homenagem oficial de seu próprio país a essa corajosa e honrada brasileira, que soube diferenciar o legal do certo, agindo contra a lei e a favor de um bem maior: uma sociedade justa. Infelizmente, como costuma acontecer repetidamente, a homenagem foi póstuma, pois ela faleceu em 2011. Fazemos nossa parte e homenageamos essa grande salvadora de vidas!!!

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