MAIO: MÊS DA NOIVA… E DO BANHO

Já faz parte de um consciente coletivo o fato das pessoas, na Idade Média, não serem adeptas à higiene pessoal regular. De onde surgiu essa ideia e se é mesmo verdade; vejamos agora.

O fato é que, na alta Idade Média, logo após a queda de Roma, ainda era comum a existência dos banhos públicos e o uso da água para higiene e diversão. O problema é que esse costume aliado a presença de ratos contaminados com a Peste Bubônica vindos do Oriente no fim da Idade Média facilitou o espalhamento da Pandemia conhecida como a Peste Negra. Todos os locais de encontro de pessoas passaram a ser evitados, inclusive os banhos e a mentalidade de que a água quente e o sabão poderiam estar deixando as pessoas menos resistentes tornou-se uma das ideias desesperadas para tentar pôr fim ao alastramento da crise. Pronto, foi-se o cheiro de sabão e veio o futum generalizado.

Banho na Idade Média.

Em todas as classes sociais, a higiene passou a ser minimizada: geralmente um paninho nas partes mais expostas era suficiente para não tirar o óleo “protetor”. Um rei só tomava banho sob prescrição médica. Reza a lenda de que Luis XIV, o famoso rei Sol da França, apesar da pompa e garbo de seu estilo, podia contar nos dedos das mãos o número de banhos por inteiro que tomou durante seus 77 anos de vida. Em parte, a história pode ser intriga dos revolucionários iluministas e republicanos, mas tudo indica que essa é a verdade. Era a mentalidade da Idade Moderna, em que um simples banho com o corpo nu era visto como imoral pela Igreja Católica Contra-Reformista.

Luis XIV. Em sua época, floresceu a fabricação de aromas e perfumes.

O que isso tem em haver com o mês das noivas? Ocorre que o primeiro banho do ano, em geral, era tomado em maio, no prelúdio do calor de verão do hemisfério Norte. Tornou-se costume, então, que os casamentos fossem realizados enquanto o odor dos noivos eram mutualmente suportáveis. Há que diga que o buquê de flores veio do costume da noiva carregar flores para disfarçar outros aromas menos agradáveis. Enfim, para os românticos, vale lembrar que há controvérsias.

Sorte que filmes não reproduzem cheiros, porque esse figurino e o cenário são tão reais.

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